terça-feira, 14 de junho de 2011

Ayurveda

Origem do Ayurveda
Sendo tão antigo quanto os Vedas, o Ayurveda remonta a períodos anteriores à história conhecida do homem na Terra. Mas, felizmente, não é uma ciência de interesse apenas arqueológico hoje em dia.
Ayurveda é ciência e arte ao mesmo tempo, original em si mesmo e baseado na experiência prática e em cuidadosos métodos de investigação perseverantemente... realizados por grandes Sábios do passado remoto, que eram portadores de profunda intuição, a qualidade espiritual desenvolvida por longas práticas de meditação e todos os demais métodos do Yoga.
Portanto, podemos dizer que a origem do Ayurveda é divina e humana ao mesmo tempo. Divina porque os Grandes Sábios que governam a evolução dos mundos, portadores de Sabedoria infinita, vivendo em planos de infinita Glória, eternos Guardiões da Humanidade e de todas as formas de evolução, inspiraram o conhecimento do Ayurveda assim, como, de acordo com a tradição, Eles mesmos se encarnaram neste mundo, na forma de Avataras como Dhanvantari, Bharadwaya e Kashyapa, para revelarem os métodos de manter o corpo, com seus Doshas, Dhatus e Malas, o Prana, a Mente, o Intelecto, a Alma e o Atma em profunda harmonia, para que o ser humano possa acessar sua potencialidade infinita.
Por outro lado, o Ayurveda também tem como base um acurado método de análise, baseado nos mecanismos de obtenção do conhecimento, experimentação e raciocínio, provenientes dos Sistemas Nyaya e Vaisheshika – também sistemas vêdicos, que, sem dúvida, originaram a metodologia que é a base da filosofia e da ciência ocidentais modernas.
Os arqueólogos, nos últimos séculos, movidos por outros interesses, têm tentado nos fazer acreditar que o povo autóctone da Índia produziu apenas um método primitivo de cultura e que a grande Cultura Vêdica proveio da raça ariana invasora do norte da Índia, de onde surgiu este impressionante acervo muito avançada em termos de literatura, lingüística, astrologia, matemática, ciências, conhecimentos sobre a mente humana, concepções absolutamente avançadas sobre a Divindade e sua relação com o Universo e o ser humano.
Vários pesquisadores têm demonstrado, de forma irrefutável, a existência de uma civilização anterior à história atual da Índia, que se desenvolveu nos vales do Rio Saraswati, aproximadamente de 70000 a 90000 anos antes de Cristo, no norte da India, que incluía o Nepal, Paquistão, Afeganistão, vários outros países próximos e regiões submersas nas margens dos oceanos em torno do subcontinente indiano. As ruínas de Mohenjo Daro e Harapa demonstram uma civilização muito avançada, com ruas calçadas, água encanada e uma população em torno de 40.000 habitantes.
As primeiras histórias védicas descrevem esse povo, sua organização, rituais, e modo de vida. Dai surgiram os Vedas e os acontecimentos da história do Ayurveda que vou contar em seguida.
Provavelmente cataclismos de grandes proporções foram secando o Rio Sarasvati, como os próprios textos antigos contam e a população foi migrando para as margens do Ganges e para o sul.
Então, eu gostaria de convidar aos leitores para desfrutarem de um breve resumo de como um dos principais textos do Ayurveda, chamado Bhávaprakásha escrito por Bhávamishra, classificado como parte da trilogia menor – laghu traya – conta a história da origem nos planos celestiais, com o estilo utilizado pelos Puranas, ou seja, histórias que personalizam forças, que descrevem guerras entre os deuses e que os torna bem carregados de todas as “qualidades” humanas, mas que, representam importantes aspectos de nossa natureza, das forças universais e do processo pelo qual o universo e o ser humano passam por ciclos de luz e obscuridade.
Assim descreve Bhavamishra:
Eu vou descrever primeiro o advento do Ayurveda neste mundo e seu gradual progresso na Terra. Após aprender isto, devemos estudar os vários tratados.
A ciência na qual são descritos a vida, aquilo que é apropriado e não apropriado (alimentos, atividades, etc.) e as doenças – suas causas e tratamentos – isso é chamado Ayurveda. (vejam que bela definição – nota do Dr. Ruguê)
O Senhor Brahma, criador de todas as coisas, foi o primeiro a propagar o Ayurveda – a essência do Atharva Veda e escreveu, nos planos divinos seu próprio Brahma-Samhita, com 100.000 versos.
Em seguida, Brahma, o oceano de conhecimento, ensinou essa Ciência, com todas as suas minúcias a Daksha Prajapati, aquele que é eficiente em todas as atividades.
Por sua vez, o hábil Daksha, ensinou a Ciência da Vida aos Dasras (gêmeos Ashvini Kumaras), que nasceram do Sol e são os melhores entre os deuses. Estes compuseram seu próprio tratado (Ashvini Samhita) que é de grande benefício para todos os médicos, aqueles que se ocupam da arte da cura, para aumentar seu conhecimento e habilidades.
Durante a batalha dos devas (deuses) contra os asuras (demônios), os devas sofreram muitos ferimentos e, somente os Ashvinis os curaram. Rigidez nos ombros de Vajri (Indra) foi tratada pelos Ashvinis. Chandra (o deus Lua) que tinha perdido o privilégio de partilhar soma – o néctar da imortalidade – ficou feliz novamente pelas terapias dos Ashvinis. …… . Por estes e outros feitos similares, os Ashvinis se tornaram os melhores médicos, reverenciados ainda por Indra e outros deuses. Então, Shacipati (Indra), observando estes atos benéficos dos Ashvinis pediu a eles que lhe ensinassem Ayurveda.Eles, contentes, ensinaram esta arte a Indra. (até aqui o Ayurveda ainda estava nos mundos celestiais – nota do Dr. Ruguê).
Agora, a história já continua na Terra:
Então, o reverenciado Bharadwáya (uma destes seres encarnados no mundo, mas que têm características divinas, como se vê na história de todos os povos – nota do Dr. Ruguê) sentindo as dificuldades dos seres deste mundo sofrendo de tantas variedades de doenças ponderou: “O que eu farei? Aonde eu vou? Como eu posso fazer esse mundo livre das doenças? Eu não posso vê-los sofrer, tenho o coração muito benevolente, portanto isso é muito doloroso para o meu coração também. Então, vou estudar Ayurveda para fazer as pessoas do mundo livres da dor (doença)”. Assim decidido, o Sábio Bharadwaya foi ao céu e disse a Indra:
“Oh Devaraja! Você não é somente o Senhor do Céu. Vidhata (Brahma) fez de você o protetor de todos os três mundos. E, no mundo físico, as pessoas estão sofrendo de doenças, e suas mentes estão plenas de aflições e sofrimentos. Então, conceda sua graça a eles, ensinando Ayurveda, como resultado de sua compaixão.”
“É dito que o corpo é a causa (meio ou veículo) para a obtenção de Dharma (realização dos talentos), Artha (prosperidade), Kama (felicidade) e Dharma (libertação) – os objetivos principais da vida. O sucesso na obtenção dos purusharthas só pode ser obtido quando o corpo está livre de doenças. Mas agora nós vemos doenças aqui, ali e em todas as partes, o que está destruindo o desempenho na prática meditativa, penitências, dedicação aos estudos, o reto modo de viver, a observância do celibato, os ritos religiosos e também a vida em si mesma...”
Então, Bharadwája ensinou metodicamente Ayurveda aos Sábios e todos eles, obtiveram longa vida, livre de doenças.
 A serpente Shesha, na qual Vishnu está recostado, tendo, também aprendido todos os Vedas, inclusive Ayurveda como parte do Atharva Veda, percorreu o mundo, vendo as pessoas aflitas com as doenças e as misérias. Resolveu também nascer no mundo, e se encarnou como filho do famoso Sábio Visuddha, bem versado nos Vedas. Como ninguém conhecia sua real morada, estando em diferentes lugares, foi chamado Charaka (peregrino). Daí, portanto, a origem do famosíssimo Charaka ou Charakacharya, que reuniu os textos escritos na época e com seus profundos conhecimentos de Ayurveda, compôs o Charak Samhita, texto fundamental do Ayurveda, que chegou até nós, bastante fragmentado, mas que serve como a base principal de todos os aspectos da Clínica Médica Ayurvédica, diagnóstico, mecanismos das doenças, tratamentos, toxicologia, ervas, rejuvenescimento e outros.
Da mesma forma, Dhanvantari, manifestação de Vishnu, encarnou neste mundo na forma de Divodasa e se tornou o rei de Kasi – Varanasi . Teve vários discípulos, entre eles Sushruta, que compôs outro famoso texto, também base dos estudos de Ayurveda por séculos e séculos, denominado Sushrut Samhita, dando ênfase maior aos procedimentos cirúrgicos, que chegarama ser muito avançados na época.
Esta é, de forma muito resumida, a origem do Ayurveda neste mundo. Percebe-se que é o fruto da Graça Divina, manifestação de Sua benevolência e compaixão, utilizando como instrumento seres muito especiais, Sábios que se encontram em um nível de inteligência, sabedoria, amor e ética universal muito acima de nossa evolução comum. Por esta razão, Ayurveda é Sanátana ou eterno, uma herança de toda a humanidade e para toda a humanidade.
Reverência a todos estes Grandes Seres.
Dr. José Ruguê Ribeiro Júnior
Artigo publicado na Revista Prana Yoga Journal



Dr. Bokkula Ramachandra Reddy
O ayurveda promove a saúde em seu sentido mais completo por meio do retorno à unidade como a Natureza. O termo significa duas palavras sânscritas (Ayur = vida; e Veda = conhecimento). O ayurveda, ou medicina védica, integra os Vedas — a doutrina sagrada da Índia antiga, o mais antigo registro conhecido da experiência ...humana. Para compreender essa abordagem da medicina, é necessário antes conhecer o sistema ayurvédico, que inclui aspectos físicos, psicológicos e espirituais da vida.
Os três doshas
Também de origem sânscrita, a palavra dosha pode ser traduzida de modo aproximado como "marca", "tipo".

Considera-se que, no âmago do ayurveda, está o conceito dos três doshasVata, Pitta e Kapha — os três princípios básicos metabólicos que ligam a mente e o corpo. Eles têm origem na diferente mistura de pares dos cinco elementos: do éter e do elemento ar surge Vata; do fogo e de um pouco de água vem Pitta; e da água e da terra surge Kapha. Através dos elementos e dos doshas, o Ayurveda determina a natureza básica do indivíduo e estabelece uma linha de tratamento adequada e suas necessidades reais.

Em seu estado natural, ou seja, em equilíbrio, Vata mantém a energia da vontade, governa a inspiração do ar atmosférico, a exalação, o movimento, as descargas dos impulsos, o equilíbrio dos tecidos e a acuidade dos sentidos.

Quando exacerbado, Vata causa secura, desidratação, escurecimento, descoloração, tremores, distensão abdominal, prisão de ventre, enfraquecimento, insônia, redução da acuidade sensorial (visão, audição, tato, paladar e olfato), incoerência ao se expressar e fadiga. Vata localiza-se no cólon (que é a sua sede) e onde ele tende a se acumular quando em desequilíbrio, nos quadris, coxas, ouvidos, ossos e no sentido tato.
Pitta, em condições normais, é responsável pela digestão, pelo calor, pela percepção visual, pela fome, sede, pelas condições da pele, pela suavidade externa do corpo, pela inteligência, determinação e coragem.

Quando exacerbado, causa coloração amarelada da urina, das fezes, dos olhos e da pele; pode também provocar fome e sede excessivas, sensação de queimação em qualquer parte do corpo e dificuldade para dormir. Pitta situa-se no intestino delgado (sua sede), no estômago, no suor, no tecido gorduroso, sangue, plasma, linfa e no sentido da visão.
Kapha, por sua vez, é responsável pela firmeza e pela estabilidade, pela manutenção dos fluídos corporais, pela lubrificação das articulações em geral, pelas emoções positivas como paz, amor e compaixão.

Quando exacerbado, reduz a capacidade digestiva e provoca a acumulação do muco, sensação de cansaço, de frio, de peso, palidez, dificuldade de respirar, tosse e um desejo excessivo de dormir. Kapha localiza-se no peito (sua sede), na garganta, cabeça, pâncreas, costelas, estômago, nariz e língua.
O ritmo biológico e os doshas
Hoje, conhecemos o ritmo biológico de numerosos parâmetros da vida, como por exemplo: temperatura do corpo, atividades hormonais no sangue etc.

Ayurveda considera diversos biorritmos, tais como ciclo diário, bem como a influência das estações e estágios da vida nos processos fisiológicos.

Levando em consideração a constituição individual, o Ayurveda recomenda rotinas diárias e sazonais baseados na variação dos doshas, seguindo alterações na natureza ou no organismo do indivíduo. O objetivo destas rotinas é evitar qualquer desequilíbrio fisiológico, especialmente nas épocas de transição.

A tabela abaixo mostra os períodos de exacerbação dos três doshas ao longo do dia.
Dosha
de dia
à noite
idade
horas após
 a  refeição
grupo
etário
Kapha
  6 às 10h
18 às 22h
  0 a 30 anos
0 a 1 h
Juventude
Pitta
10 às 14h
22 às 02h
30 a 60 anos
1 a 2 h
Idade adulta
Vata
14 às 18h
02 às 06h
+ de 60 anos
2 a 3 h
Idosos
Tratamento das doenças causadas pela exacerbação dos doshas
Vata:
Bebidas, alimentos e medicamentos (que são: oleosos, quentes, estáveis, afrodisíacos, tônicos, salgados, doces, azedos) óleos, exposição ao sol, banhos, massagem, enema, inalação, sono, descanso, ungüentos quentes.
Pitta
Bebidas, alimentos “ghee” (manteiga derretida) e medicamentos (amargos, doces e adstringentes), vento frio, sombra, noite, hidroterapia, exposição ao luar, terapia com argila, laxantes, retirada de sangue.
Kapha:
Bebidas, alimentos e medicamentos (alcalinos, adstringentes, amargos e picantes) exercícios, atividade sexual, caminhadas, jogos aquáticos, exposição ao sol e calor, eméticos, compressas quentes.
Quando os doshas estão em estado irregular, ocorre doença ou “roga.”  “Arogya” (sem “roga”) significa “com boa saúde.” O equilíbrio dos três doshas promove perfeita saúde.
Os três doshas criadores da realidadeQuando um médico ayurvédico observa o doente, procura sinais dos três doshas em todo o organismo, mesmo que não possa enxergá-los literalmente, porque os doshas são invisíveis. Eles governam os processos físicos do corpo, mas não são propriamente físicos. Costumamos chamá-los de “princípios metabólicos,” um nome abstrato. Mas ao aumentarem ou diminuírem, podem prender-se a certos tecidos ou mudar para partes do corpo que não são sua área. Estão na fronteira do mundo físico. Como ficam no espaço entre a mente e o corpo, não se parecem com nada que exista em nossa medicina ocidental. Vata, Pitta, Kapha só entram em foco quando começamos a observar-nos de uma perspectiva ayurvédica.
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Dr. Bokkula é médico com pós-graduação em Ayurveda pela Universidade Osmania, Hyderabad, Índia.



A Medicina Ayurvedica ou Ayurveda
A  palavra Ayurveda em sânscrito é formada por duas partes: ayus ou vida e veda ou conhecimento. O Caraka Samhita   (compêndio de Caraka), principal texto de clínica médica, defini ayus da seguinte forma:
                      “O termo ayus é a combinação de corpo, órgãos dos sentidos, mente e alma” ( Caraka Samhita, trad. Dash e Sharma, 2007: vol... I, p 25)
Segundo esta definição Ayurveda é o conhecimento ou a ciência da vida e possui uma evolução e desenvolvimento de milhares de anos no subcontinente indiano. Os principais textos autorizados são os compêndios clássicos conhecidos como “Brihat Trayi” ou o grande trio: Caraka Samhita ( escola de clínica médica) , Susruta Samhita ( escola de cirurgia) e Astanga Hrdayam ( coração dos 8 ramos do Ayurveda de Vagbhata). Todo estudante de Medicina Ayurvedica, na Índia, pesquisa estes antigos livros escritos em sânscrito.
A Medicina Ayurvedica afirma que tudo no universo é formado pelos 5 elementos básicos da natureza, chamados panchamaha-bhutas, inclusive o corpo físico, são eles: espaço ou éter, ar, fogo, água e terra. O objetivo desta ciência é estudar as influências destes elementos na natureza e no ser humano, dentro desta filosofia o Homem é um microcosmo do universo, o macrocosmo. Os elementos se unem dois a dois para formar os doshas ( humores biológicos) que atuam na nossa fisiologia assim como na formação dos desequilíbrios psicofísicos. Espaço e ar formam o dosha Vata, fogo e água geram o dosha Pitta e água e terra formam o dosha Kapha. Podemos afirmar que os doshas são as expressões fisiológicas dos 5 elementos quando existe equilíbrio, porem quando ocorre uma desarmonia tornam-se suas expressões patológicas.
O dosha Vata, espaço e ar, é frio, leve, seco, móvel e rápido, atua principalmente nas funções excretória e nervosa. No tubo digestivo localiza-se no intestino grosso. Vata desequilibrado ou patológico gera um quadro clínico relacionado ao aumento de espaço e ar (movimento) no nosso corpo físico: secura, frio, perda de peso, inquietação, gases, prisão de ventre, ansiedade, medos, depressão e insônia. Algumas doenças relacionadas ao dosha Vata: fibromialgia, artrose, dores em geral, problemas de coluna, cefaléia, constipação, flatulência, colite, síndrome do intestino irritado, síndrome bipolar, doença de Parkinson, demência senil.
O dosha Pitta, fogo e água, é quente, moderado e oleoso ( úmido), atua principalmente na função metabólica e digestiva. No tubo digestivo localiza-se no estomago e duodeno ( intestino delgado). Pitta desequilibrado ou patológico promove um quadro clínico relacionado ao aumento de fogo e água ( calor e umidade) no nosso corpo físico: azia, queimação abdominal, fezes soltas, calor no corpo, aumento da sudorese ( suor), pele sensível e vermelha, olhos vermelhos, irritabilidade e agressividade. Algumas doenças que podem estar relacionadas ao dosha Pitta: gastrite, ulcera digestiva, regurgitação, diarréia, hepatite, inflamações, acne, crises de fúria e ciúmes, climatério e menopausa, enxaqueca e estresse exacerbado.
O dosha Kapha, água e terra, é pesado, oleoso ( úmido), frio e lento, atua na função estrutural e de lubrificação dos tecidos. Kapha desarmônico ou patológico gera um quadro clínico relacionado ao aumento de água e terra no nosso corpo físico: peso corporal aumentado, lentidão, preguiça, oleosidade, secreções, embotamento mental. As doenças que podem estar relacionadas ao dosha Kapha: obesidade, diabetes, aumento do colesterol, bronquite, sinusite, tosse com secreção, alergias respiratórias, lentidão em todas as funções físicas e mentais e apego exacerbado.
Para tratarmos os nossos desequilíbrios temos que antes apontar o dosha que está em desarmonia ( diagnóstico do desequilíbrio), neste site encontramos o questionário dos doshas que aponta esta desarmonia através de um interrogatório com 27 questões para cada dosha. Você deve responder as questões de acordo com os seus sintomas atuais, pensando em como você está se sentindo nos últimos dias. Após isto é interessante ler sobre os doshas ( botão princípios básicos) e a dieta dos doshas ( botão alimentação ).
O Ayurveda é uma medicina complexa e completa e utiliza diversas ferramentas terapêuticas para equilibrar os doshas: massagem ayurvedica, óleos medicinais, dieta, rotina diária de hábitos saudáveis, oleação e sudação ( purvakarma), fitoterapia ( uso terapêutico das plantas medicinais), terapias purificadoras ( panchakarma), medicamentos com metais, minerais e pedras preciosas ( rasa shastra), recomendação de atividade física, prática de yoga e meditação.
O Susruta Samhita coloca as 8 principais especialidades do Ayurveda que são estudadas nas faculdades de Medicina Ayurvedica:
1-     Cirurgia geral ( salya)
2-     Doenças da cabeça e pescoço, inclui oftalmologia e otorrinolaringologia ( salakya)
3-     Medicina interna ou clinica médica ( kayacikitsa)
4-     Psiquiatria e doenças de causas sobrenaturais ( bhutavidya)
5-     Ginecologia, obstetrícia e pediatria ( kaumarabhrtya )
6-     Toxicologia e envenenamento por animais peçonhentos ( agadatantra)
7-     Terapia de rejuvenescimento ( rasayana tantra)
8-     Terapia dos afrodisíacos ( vajikaranatantra )
( Susruta Samhita, tradução de Sharma, 2004: vol I, p 7 a 11)
Terminamos este pequeno artigo introdutório sobre o Ayurveda com as palavras do sábio Vagbhata no seu trabalho denominado   Astanga Hrdayam, ou o coração dos 8 ramos da Medicina Ayurvedica, que é um resumo em 120 capítulos de todo conhecimento, acumulado no subcontinente indiano, até o século VII da nossa era:
Aquele que satisfaz-se diariamente com alimentos saudáveis e com atividades que discriminam ( o bom e ruim em tudo e age sabiamente), que não é apegado  ( demasiadamente) aos objetos dos sentidos, que desenvolve o ato da caridade, que considera todos como iguais ( agindo com gentileza), com sinceridade, com perdão e mantendo a companhia de pessoas boas, torna-se livre de todas as doenças” ( Vagbhata, Astanga Hrdayam, tradução de Murthy, 2007: vol I, p 52)

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