terça-feira, 14 de junho de 2011

Gita Govinda, a canção amorosa do Senhor Krishna

Quais sãos os mistérios que envolve o amor de Shri Krishna por Sua consorte eterna Srimati Radharani? Há um grande mistério no profundo amor de Deus pela Sua mais destacada Gopi. Apesar de Radharani ser a Gopi mais amada de Krishna Ela não aparece no Shrimad Bhagavatan, a obra máxima que relata as minúcias do Senhor Supremo, quando veio ao Planeta,... para resgatar a moralidade e restabelecer o Dharma. Shri Krishna realiza muitas proezas milagrosas, acaba com muitos demônios, diverte os amigos, dança com mais de 10.000 gopis ao mesmo tempo, mas perde-se de amor por Radharani. Esta é, provavelmente, a história de amor mais antiga do mundo, onde toda a beleza, amor, fraternidade e sensualidade atingem nuances impossíveis de serem compreendidos numa mentalidade comum e mundana.
O Senhor Krishna sempre gostava de "pegar peças" nos outros, por conseguinte, Radhika jamais deixou de ser atingida pelas brincadeiras do Senhor. Na realidade o amor de Radha por Krishna está envolto num mistério de profundo sentimento, que somente um estudo aprofundado poderá desvelar o que há de mais extradordinário da sexualidade humana. Quando Deus em Si mesmo deixa-se levar pelo amor de Sua contraparte feminina, pensamos que Deus, de fato, é feminino, e não masculino. Radhika encerra dentro da Sua vida todo um amor profundo de amante, mas de amante da pureza, do sentimento puro de amor sem que haja o egoísmo do sexo brutal, mas da sexualidade levada na profundeza de todos os atos, e não apenas se trata de um simples ato sexual mundano. As mentes mal acostumadas a entenderem a profundidade dos sentimentos de amor que Deus sente por Sua consorte logo se apressam em comparar os Lilas - passatempos - do Senhor com as coisas mundanas e grosseiras.
Jaya Deva Goswami, o poeta santo do séc. XIII soube com muita naturalidade captar o imenso amor de Deus por Sua Consorte Eterna no poema Gita Govinda. A palavra sânscrita "gita" é uma palavra bem conhecida de todos, e quer dizer "canção", justo por aparecer no Bhagavad-gita ou "Canção do Senhor". Govinda é um dos tantos Nomes de Deus, e quer dizer "Senhor Amável das Vacas", ou vaqueiro (tal qual um pastor que leva o Seu rebanho para um lugar seguro). Gita Govinda é a Canção de Amor de Radha e Krsna, e desvela o profundo sentimento de amor entre os dois sexos, mostrando-nos com clareza que a dualidade se funde no amor comum. Este poema erótico do Senhor tornou-se a fonte de origem de inspiração para os Vaishnavas, adoradores de Vishnu ou Krishna, bem como dos amantes de Deus de qualquer derivação religioso do Hinduísmo clássico. Este poema tem sido cantado ao longo dos séculos por muitos músicos e poetas devotos, bem como tem sido pintado pelos mais renomados pintores clássicos da Índia.


2. A obra em pintura Além do poema escrito, e pintado, esta obra magnífica é, também, cantada diariamente nos templos; hoje, com a facilidade dos discos e da música eletrônica, é possível escutá-la nos autofalantes dos templos onde as Deidades de Radha e Krishna são então agraciadas com a música deste melodiosa obra de amor. Mas foi precisamente em Gujarat, no Uttar Pradesh, nas montanhas de Rajasthan e no Punjab, já pela tradição artística desta região, que o Gita Govinda recebeu a expressão visual em pintura. Estas ilustrações surgiram por volta do ano 1450, sendo que uma série de pinturas sobre este poema se encontram em Jaipur desde 1590. Hoje, podemos encontrar estas pinturas em museus como o Prince of Wales, em Mumbay. Um grande místico e entusiasta da poesia de Jayadeva foi Akbar, um grande rei santo de outrora. Durante o reinado deste rei devoto o Gita Govinda foi produzido e ilustrados com pinturas no estilo Mughal, de tal forma que as pessoas dos mais variados credos, crenças e religiões, puderam apreciar a bela obra de Jayadeva.
Durante os séculos dezesseis e dezessete, uma verdadeira onda de Vaishnavismo espalhou-se na Índia, no qual a adoração de Radha e Krishna, bem como a canção poética e amorosa de Jayadeva, tornou-se muito popular. Posteriormente, por volta de 1610, o poema de Jayadeva foi também pintado no estilo Jainista. Uma grande série de pinturas foram realizadas em 1723, sobre o patricínio de Maharana Samgram Singh II, em Mewar. Sabe-se que um artista de Kishangarh pintou uma linda série de pinturas do Gita Govinda em 1820, para o Rajá Kalayan Singh, sendo uma coleção atual. Pela grande popularidade que esta obra ganhou no decorrer dos séculos, a música do Gita Govinda é ouvida nos festivais de Krishna no Rajasthan até os dias de hoje.
A presente Web edição do Gita Govinda possui duas versões, estando inspiradas, respectivamente, nas gravuras da Kangra Paintings do Gita Govinda, publicadas pelo Museu Natural de Nova Delhi, e na Mewar Paintings, no estilo Rajasthan. Apesar da história ser a mesma, o estilo do desenho passa-nos impressões distintas, e que o leitor saberá apreciar. A presente edição constitui-se de fragmentos desta extraordinária obra poética, que tem inspirado Santos e Místicos através dos tempos, bem como feito muitos devotos ao Casal de Amantes Supremo, cuja união é exemplar de Amor Puro e Castidade.



3.1. IntroduçãoO Gita Govinda (A Canção de Govinda), é um dos clássicos mais renomados da Índia antiga; essa obra está centralizada na confidencial relação amorosa entre Radha e Krishna em um rito da primavera.
O Gita Govinda consiste de doze capítulos que posteriormente foram divididos em vinte e quatro canções. Cada canção consiste em oito quadras de versos que recebe o nome de Ashtapadi. O Capítulo um, dois, quatro cinco e doze contêm dois ashtapadi cada; os capítulos três, seis, oito, nove e dez contêm só um ashtapadi cada.
Assim há vinte e quatro ashtapadis. Estes ashtapadis podem ser estabelecidos, quanto à música, em ragas de diferentes melodias, que foram seguidas pelos poetas de períodos mais recentes. Há inúmeros comentários tanto nos diversos dialetos indianos quanto em idiomas estrangeiros.

Os versos são aplicados à música e dança e as apresentações são executadas nos templos, descrevendo os bhavas de Madhura da devoção ao Senhor Supremo e mostrando de forma inusitada como um poeta versado pode adotar idéias profanas para aprofundamento e elevação espiritual.
O kayva do Gita Govinda é um poema lírico e dramatiza as brincadeiras de amor entre Radha e Krishna como trama principal, mas transmite sutil e simultaneamente a natureza profunda da devoção da alma individual, em sua ânsia da vivência de Deus, para atingir finalmente o serviço ao Senhor.
Este Bhava carrega em si a similaridade que há entre a realização de Deus e o erotismo e aqui esse caminho é magistralmente tratado.
O Gita Govinda foi composto com o fim específico de ser uma canção para dançar durante a adoração noturna ao Senhor Jagannatha, e a composição assim é feita com tal habilidade para que seja cantada segundo as batidas dos movimentos de pé de uma dançarina.
O próprio autor ao término do Kavya declara suas razões, onde ele enfatiza que o poema se destina a serum suporte para meditação em Vishnu e está envolto em Srngara rasa pelo Kavi Jayadeva Pandita em seu profundo mergulho meditativo no Senhor eSua Consorte.
O poema ficou tão popular que em menos de um século que se espalhou por todos os cantos da Índia, de leste para sul, oeste e norte, e traz expressões da arte na dança, música, pintura e na adoração no templo.
A vida do autor remonta a segunda metade do século XII. Foi pela primeira vez vertido ao inglês em 1792.


3.2. Um poema notável
A sensualidade vem na doce linguagem de Jayadeva, apresentando um cenário minucioso, pois o nosso Shri Govinda é a personificação do amor apaixonado.
O primeiro capítulo desta história proporciona a seguinte evidência dos Shastras:

Uma sakhi diz a Radha: “Oh Vinodini Raí, veja lá como Krishna desfruta da primavera! Ele faz amor com todas as vrajas sundaris que O abraçam afagando todas as partes de Seu suave corpo syama que é mais delicado e de um matiz que superao lótus azul. Dessa forma Krishna dá inicio ao festival do Cupido trazendo vida para as gopis e para toda a criação – pois Ele é o próprio Srngara (paixão amorosa personificada)”.
Esse livro se destina aos bhaktas que anseiam conhecer esse aspecto da personalidade de Krishna e Jayadeva evidencia isso no verso a seguir.

“Hei Rasika Bhaktas Se vocês querem revigorar a mente com riquezas ao se lembrar e contemplar os passatempos madhura de Shri Hari, se a curiosidade sobre prema-vilasa de Shri Krishna e Sua arte de sedução despertarem em Você – então, por todos os meios, leia a doce e profunda poesia composta por Shri Jayadeva Gosvami”.
Krishna é descrito como sringara rasa personificado, portanto é natural que Seus bhaktas se esforcem para seguir a trilha dos ímpetos amorosos dEle com a intenção de servi-lO. O Gita Govinda é a obra que proporciona o meio de se alcançar esse objetivo. A poesia de Jayadeva borbulha com sringara talvez porque ele também seja um romântico ou um rasika como é Shri Krishna.
A vida sexual neste mundo tem características que diferem do sringara (as descrições do divino amor erótico que flui da pena de Shri Jayadeva, provém de uma dimensão completamente diferenciada). Podemos fazer a analogia entre os pólos que se opõem em uma esfera. O sexo na grande maioria dos casos nos ata a essa condição material enquanto que o sringara de Krishna nos liberta. A natureza transcendental desses Lilas pode ser a razão fundamental para que um bhakta obtenha um nascimento espiritual no reino do Vrindavana-lila junto a Krishna. O ouvir desses passatempos amorosos mesmo que em pequena dose trás em si extraordinários efeitos colaterais. No sétimo capitulo dessa obra se afirma:

“Por se ouvir as narrativas emanadas da boca de Shri Jayadeva no tema dos Lilas das atividades amorosas (rati keli) todas as impurezas da Kali Yuga podem ser extirpadas.”
É por isso que os rasika bhaktas utilizam dessa narração como uma ferramenta; aqui está o instrumento que removerá o espinho do desejo sexual autocentrado e por isso pervertido que traz sofrimento aos corações. Esse sidhanta se confirma no Bhagavatam:

“A audição constante e carregada de fé ou o falar dessas atividades dos passatempos de Krishna com as gopis leva-nos a param bhakti. Através desse ouvir e falar obtém-se o controle dos sentidos removendo-se assim a luxúria do coração e alcançando-se a paz.”



3.3. O famoso JayadevaShri Jayadeva Goswami é um estilista que dita a moda. Ele utiliza a prosa poética (giti kavya) que é usada em canções. Os maiores poetas que se seguiram copiaram seu estilo, porém não puderam reproduzir o mesmo encanto.
Rupa Goswami segue esse estilo no seu Gitavali, Shrila Prabhodananda Sarasvati no seu Sangita Ma dhava, vemos ainda seu inconfundível tom na poesia de Govinda Dasa e na obra Jagannatha Bhalaba de Raí Ramananda. Muitos de seus versos foram utilizados como referência no Bhakti Rasamrta Sindhu, Ujjvala Nilamani e Cheitanya Charitamrta. Porém, o mais notável dos créditos que se pode atribuir a Jayadeva é que o próprio Bhagavam Shri Krishna Cheitanya Deva costumava saborear regularmente a rasa contida nesta obra na companhia de Raí Ramananda e Svarupa Damodara. Por isso aos leitores assegura-se que ao adotarem o Gita Govinda em seus corações adentrarão na autêntica dimensão repleta de prazeres amorosos no encanto do prema keli de Radha-Govinda


3.4. O estilo de Jayadeva
Os leitores em sua maioria não serão versados na língua sânscrita, contudo deixamos a maioria dos versos em sânscrito. O motivo disso é que nesses versos há um poderoso efeito como de um mantra. Assim como o kama bija e o kama gayatri transmitem aos seus recitadores prema anuraga pelo Cupido Transcendental de Vrindavana, omesmo acontece com o mantra shakti contido em cada linha do Gita Govinda.
Esse livro pode ser descrito como composto de amrita. Existem vinte e quatro canções de deleite interligadas por alguns shlokas auxiliares. Que os leitores possam saborear esses versos que ainda nos dias de hoje são dançados pelas Maharis diante do Senhor Jagannatha em Orissa.
No local de nascimento de Jayadeva na aldeia de Kenduli no distrito de Birbhum o Gita Govinda é proeminente na festa da primavera onde cada palavra corresponde a um gesto (abhinaya). E ali se aglomeram milhares de peregrinos todos os anos.
Os editores

.http://www.gita.ddns.com.br/gita-govinda/gitagovinda-online4.php#4
Vikriditam vrajabadhubhir idan ca visnoh
Sraddhanvito anusanuyad atha varnayed yah
Bhaktim prambhazgavati pratilabhya kamam
Hrdrogam asvapahinotyacirena dhirah
Srijayadeva bhanita hari sramitam
Kali kalusam janayati parisamitam
Jadi hari smarane sarasam mano
Jadi vilasa kalasu kutuhalam
Madhura komala kanta padavalim
Srnu tada jayadeva sarasvatim
Visvesamanuranjanena janayannaandamindivara
Srenisyamla komalair upanayanangairotsavam
Svaccandarh brajasundearibhirabhiramitam
Pratyanganmalingitah
Srngarah sakhi murtimaniva madhou harihkridati

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