terça-feira, 14 de junho de 2011

Maha Shivaratri









 Senhor Shiva e a Manifestação do Lingam - O Símbolo do Absoluto

O Senhor Shiva - que significa “O Auspicioso” - é a terceira pessoa da Trimurti ou Trindade Hindú e personifica o aspecto Destruidor ou Transformador de Deus. Shiva domina a energia de Tamas, que representa a inércia ou ignorância e deve ser eliminada para que haja a renovação.
É im...portante ressaltar que, muitas vezes, Shiva é tratado não só como o Destruidor/Transformador, mas como o próprio Absoluto, sendo até mesmo chamado de Maheshvara (o Grande Ishvara, Grande Senhor). Isto mostra que cada deidade é apenas a uma representação de um dos aspectos do mesmo e único Deus, que encerra em Si todos os poderes
Geralmente, o Senhor Shiva é representado como um renunciante vestido com peles de animais e adornado com cinzas, serpentes e colares de rudraksas (sementes de uma árvore especial). Em outras imagens, surge como Nataraja, ‘O Rei da Dança Cósmica’ ou como Dakshinamurti, um sábio que ensina em silêncio. Outra importante forma de Shiva é o Shivalingam. O culto a Shiva na forma do Lingam tem seu ponto alto no Mahashivaratri, um dos mais importantes festivais hindus.
O Significado do Mahashivaratri
Segundo um antigo texto conhecido como Shivapurana, todos os meses, a última noite da lua minguante é chamada de Shivaratri (noite de Shiva) e deve ser dedicada à concentração no aspecto de Deus que representa a Destruição.
Para os hindús, a lua rege a mente. Assim, a diminuição da parte visível da lua (e de sua energia) durante a fase minguante, favorece a gradual sutilização da mente, possibilitando a percepção da Luz da Consciência, simbolizada pelo nascimento da Lua Nova.
Anualmente, no mês que, no nosso calendário, fica entre fevereiro e março, esta noite é considerada ainda mais auspiciosa. Assim, ela é chamada de Mahashivaratri - A Grande Noite de Shiva. A tradição hindu diz que durante esta noite o Senhor Shiva se manifesta como um Lingam.
A palavra Lingam (ou linga) significa ‘símbolo’ ou ‘aquilo através do qual se pode ver outra coisa’. O Shiva Lingam é uma das mais sutis representações de Deus conhecidas pela humanidade. Trata-se de uma pedra em formato de elipse (ovalada) que, tendo uma configuração “abstrata”, tanto pode representar o Absoluto sem forma, quanto o Senhor dotado de atributos.
Por não ter uma forma humana ou animal específica, o Lingam indica que Deus é sem atributos, estando além de qualquer limitação ou definição. Mas, como possui um formato básico, também mostra que o Senhor pode assumir a forma que desejar, como realmente o faz, ao se manifestar em toda a Criação. Ele simboliza todo o processo de Criação, Manutenção e Destruição do Universo, pois, do Sem Forma nascem todas as formas, que por fim, voltam a se dissolver no Absoluto.
Sathya Sai Baba, que costuma materializar um Lingamdurante este festival, declara o seguinte:
“O Festival da Noite de Shiva (Shivaratri) é o dia em que Maheshvara toma a forma de Lingam para o benefício dos buscadores espirituais. O que eles têm que obter de Maheshvara é o Conhecimento. Este é que manifesta a Divindade Latente no homem. É a realização final de todas as austeridades, de todos os sacrifícios e de todas as yogas (sic). Perseguindo os prazeres terrenos, não poderão obter sequer uma fração dessa felicidade.” (Mensagens de Sathya Sai – Vol X)
Esta ocasião é considerada muito auspiciosa para os aspirantes espirituais. Por isso, os devotos passam todo o dia e a noite jejuando e repetindo o Mantra “OM Namah Shivaya” (OM, Saudações a Shiva) ou cantando bhajans, a fim de purificarem suas mentes para que o Senhor destrua suas limitações e lhes permita alcançar a Liberação. No livro Sadhana, pag. 230, Sathya Sai Baba diz:
“O Mahashivaratri é dedicado à desintegração das aberrações da mente, portanto, da própria mente, mediante a autoconsagração a Shiva, Deus.”
Sobre a materialização do Lingam, encontramos a seguinte declaração de Swami, na revista Sanathana Sarathi de março de 1999:

“A manifestação do Lingam é uma parte de Minha natureza. Vocês têm que reconhecer este acontecimento como um vislumbre da Divindade, um sinal da Graça Infinita. Tal como o “Om” é o ‘símbolo sonoro’ de Deus, o Linga é a ‘forma-símbolo’, ou o símbolo visível de Deus – o mais significativo, o mais simples e o menos dotado dos acessórios relativos aos atributos. O Lingam simboliza aquilo no qual este Universo transitório é absorvido, ou se funde, ou se dissolve. Todas as formas, ao final, se fundem no “Sem Forma”. Shiva é o Princípio da Destruição de todos os nomes e formas, de todas as entidades e indivíduos. Assim, o Lingam é o mais simples sinal do surgimento e da fusão.”
Para finalizar, achamos importante lembrar que, em seu discurso de 7 de março de 1997, publicado na revista Sanathana Sarathi do mesmo ano, Swami nos exortou a transformar nossa vida num constante Shivaratri:
“Não considerem o Shivaratri somente como um festival anual. Tomem cada noite como Shivaratri (noite sagrada). Sempre e em todo lugar em que mantenham pensamentos sagrados e contemplem Deus, terão Shivaratri naquele momento e lugar.”
OM SAI RAM
Fontes de consulta:
Simbolism in Hinduism - Compilado por Swami Nityanand - Chimmaya Mission
Sanathana Sarathi - agosto de 88
Sai Bhajanamala - Don Wijeratne - Edição especial comemorativa do
70º aniversário de Sri Sathya Sai Baba
Gods and Godesses of India - Kailash Nath Seth e B. K. Chaturvedi
Mudras - As Mãos Como Símbolos do Cosmos - Ingrid Ramm-Bonwitt
El Senor Dakshnamurti - Texto de Swami Dayananda Sarasvati

OBS.: A data e o horário desta festividade são móveis, devido ao movimento lunar, calendário pelo qual é regida, existindo também diferenças de acordo com a localização do país e do hemisfério.
http://www.sathyasai.org.br/

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