terça-feira, 14 de junho de 2011

Os 4 caminhos do Yoga


www.sivananda.org
Tradução e adaptação: Anderson Takakura


... São quatro os principais caminhos do Yoga – Karma Yoga, Bhakti Yoga, Jñana Yoga e Raja Yoga. Cada um é adequado para uma abordagem diferente de temperamento e de vida. Todos os caminhos levam para um mesmo destino – a união com Brahman ou Deus – e a lição de cada um deles precisa ser integrada para que a verdadeira sabedoria seja obtida.
1 – KARMA YOGA, o Yoga da Ação
É o primeiro passo escolhido para aqueles de natureza sociável. Purifica o coração através do aprendizado da ação desapegada, sem pensamentos de ganhos ou recompensas. Ao desapegar-se dos frutos da ação e os oferecendo a Deus, você aprende a purificar-se do ego. Para tanto, é útil repetir um mantra enquanto estiver realizando alguma atividade para manter a mente focada.
1.1 – Princípios do Karma Yoga
“Karma Yoga é a devoção abnegada de toda atividade interior tanto quanto as exteriores como um Sacrifício ao Senhor de todas as obras, oferecidas ao eterno como Mestre da energia de todas as almas e austeridades.”
Bhagavad-Gita
1.1.1 – Atitude Reta (Correta)
O que conta não é que você faz,; é o propósito da ação o que determina se o trabalho é o trabalho de karma yoga, ou seja, um trabalho libertador, ou um trabalho obrigatório. O trabalho é um culto. Swami Sivananda aconselha-nos a “darmos as mãos para trabalhar, e manter a mente fixa nos pés de lótus do Senhor.”
1.1.2 – Motivação Reta (Correta)
O mesmo das atitudes. Não é o que você faz o que conta, mas suas reais intenções por trás da ação. Sua motivação (intenção) deve ser pura. Swami Sivananda diz: “Os homens geralmente fazem planos para obterem os frutos de suas ações antes de começarem qualquer tipo de trabalho. A mente está tão bitolada que não é capaz de pensar em nenhum tipo de trabalho sem remuneração ou recompensa. Um homem egoísta não pode realizar nenhum serviço. Ele irá pesar o trabalho e o dinheiro em uma balança. O Serviço Abnegado lhe é desconhecido.”
1.1.3 – Cumpra Seu Dever
Freqüentemente “dever” refere-se à “retidão”. Você incorrerá em demérito caso evite seus deveres. Seus deveres são para Deus, ou Ser, ou o Mestre Interno (Atman) que lhe ensina através de todas as circunstâncias específicas de sua vida conforme elas aparecem.
1.1.4 – Dê o Seu Melhor.
Qualquer coisa que você tenha que fazer, faça  da melhor maneira, faça o melhor. Se você conhece um meio melhor para servir, você deve usá-lo. Não volte atrás pelo medo da responsabilidade ou pelo medo de críticas. Não trabalhe de má-vontade somente porque ninguém está vendo ou porque você sente que o trabalho não é para você. Dê seu melhor. Procure realizar suas ações de maneira que traga o máximo de benefícios e o mínimo de malefícios. Pratique Karma Yoga cada vez mais.
1.1.5 Desista dos Resultados
Deus é o doador. Você não é o doador. Você é somente o instrumento. Você não conhece os objetivos de Deus ou os planos de Deus. Deus é o realizador. O Ser nunca age, muda. São somente as Gunas, as três qualidades, que estão em movimento. O modo de se perceber esta verdade é trabalhar constantemente somente pelos fins do trabalho e deixar de lado os resultados, sejam bons ou maus. É o desejo de ação que atrela o sujeito. É o desprendimento da ação que irá dissolver as sementes kármicas. Desprendimento dos resultados também significa desprendimento do tipo de trabalho em si mesmo. Não há trabalho que seja inferior ou superior. Não se apegue ao seu trabalho. Esteja pronto para deixar seu trabalho, se necessário.
1.1.6 – Sirva a Deus ou ao Ser Totalmente
Faça aos outros o que você gostaria que fosse feito para si mesmo. Ame a teu próximo como a ti mesmo. Adapte-se, ajuste-se, componha-se. Tolere insultos, tolere injúrias. Unidade é Diversidade. Nós somos partes de um mesmo corpo. Pratique humildade em suas ações. Cuide-se do poder, da fama, do nome, do elogio e da censura.
1.1.7 – Siga a Disciplina do Trabalho
Cada trabalho é, de certa forma, um professor. Você pode desenvolver diferentes habilidades realizando diferentes trabalhos. Cada trabalho possui diferentes requisitos em termos de tempo, grau de concentração, habilidades ou experiência, motivação, energia física, determinação. Procure fazer o melhor em qualquer trabalho que você esteja.
2 – BHAKTI YOGA, O Yoga da Devoção ou Amor Divino
Este caminho encanta particularmente aquele de natureza emocional. O Bhakti Yogi é motivado principalmente pelo poder do amor e vê Deus como a encarnação do amor. Através de orações, adorações e rituais ele se rende a Deus, encaminhando e transmutando suas emoções em amor incondicional ou devoção. Entoar ou cantar as orações de Deus formam uma parte substancial do Bhakti Yoga.
3 – JÑANA YOGA, o Yoga do Conhecimento ou Sabedoria
Este é o caminho mais difícil, requer tremenda força de vontade e de intelecto. Tomando a filosofia do Vedanta, o Jñana Yogi usa sua mente para inquirir sobre sua própria natureza. Nós percebemos o espaço interior e exterior de um copo como sendo diferentes, assim como vemos nós mesmos sendo separados de Deus. Jñana Yoga leva o devoto a experimentar sua unidade com Deus diretamente, através da ruptura do copo, dissolvendo os véus da ignorância. Antes da prática do Jñana Yoga, o aspirante precisa ter integrado as lições dos outros caminhos yógicos – sem altruísmo e sem amor a Deus – que dão a força para o corpo e a mente – a busca da auto-realização torna-se pura especulação vazia.
4 – RAJA YOGA, A Ciência do Controle Físico e Mental
Freqüentemente chamado de “estrada real” , oferece um método abrangente para o controle das ondas mentais através da transformação da energia mental e física em energia espiritual. Raja Yoga também é chamado de Ashtanga Yoga, referindo-se aos oito passos que conduzem ao controle mental absoluto. A principal prática do Raja Yoga é a meditação. Também inclui todos os outros métodos que ajudam no controle do corpo, da energia, dos sentidos e da mente. O Hatha Yogi utiliza-se do relaxamento e outras práticas como Yamas, Niyamas, Mudras, Bandhas etc. para obter controle do corpo físico e da força sutil denominada Prana. Quando o corpo e a energia estão sob controle, a meditação acontece naturalmente.

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